domingo, 17 de outubro de 2010

PORTADORES DA GRAÇA


Marly já tinha duas filhas, Kátia e Kelen com 20 e 17 anos respectivamente.
Kátia estava preste a se casar então Marly e seu esposo acharam que a casa ficaria vazia de mais.
O casal se inscreveu na vara da infância à procura de uma criança um pouco maior. Alguns meses depois ele chegou.

Ele não era e nunca foi a criança que todos sonharam um dia em ter. Ao olhar para os seus traços já dava pra perceber os olhinhos puxados típico de quem tem síndrome de down.

Gabriel não falava, não andava, tinha problemas de visão e de audição, usava fraldas e se arranhava muito em função do ambiente violento em que vivera. Ele tinha 6 anos e havia sido retirado de casa por sofrer maus-tratos.

Foi amor a primeira vista. Marly e seu esposo o levaram para casa e passaram a cuidar de Gabriel.

Em seu aniversário de sete anos Gabriel ganhou uma festa de aniversário. Ele estava tão feliz que mal podia caber dentro de si.

Hoje, aos 12 anos, é um menino calmo e feliz. Vai à escola – está no 4º ano –, anda, conversa, há tempos se livrou das fraldas, come sozinho, não se machuca mais e conseguiu recuperar uma das vistas.

Achei esta história por acaso enquanto procurava inspiração na internet, e no mesmo instante que a li recebi um banho de empatia por Gabriel.

Uma criança que já nasceu com sua malinha de dificuldades um tanto mais pesada que a das crianças normais. Chegou a um lar que lhe ofereceu como incentivo de vida uma seqüência incontável de traumas e medos.

Fico me perguntando, o que teria acontecido com Gabriel caso Marly não tivesse aparecido?
Afinal de contas Gabriel nunca foi um futuro promissor para a família, Gabriel não era fonte de carinho ou amor. Gabriel era um poço de traumas.

Talvez você ao olhar para um garoto com os traços como os de Gabriel não conseguisse enxergar nada além da cicatrizes e deformações, mas o amor de Marly por ele existiu e tal amor conseguiu ver um coração escondido atrás da carcaça assustada.

As pessoas viam um portador de deficiência Marly via um portador da graça.

Jesus fazia o mesmo com seus seguidores:

O mundo enxergava um coletor de impostos corrupto que não era digno de confiança. Jesus visualizava Mateus, o discípulo que mais tarde contaria sua história. Mateus 9 v9 – Jesus cedia a Mateus a graça de andar lado a lado com o Mestre.

O mundo via uma mulher cheia de marcas de adultério que merecia ser apedrejada. Jesus visualizava uma vida a ser transformada. João 8 – Jesus cedia a mulher a graça de ser salva de seus acusadores.

A sociedade via um cego sem chances de mudanças. Jesus via Bartimeu, alguém que merecia o ver frente a frente. Marcos 10 v46 – Bartimeu recebia de Jesus a graça olhar o rosto de Cristo.

E assim, eu poderia seguir com a interminável lista até chegarmos a você.

Você se lembra da história, não se lembra?

O mundo via suas limitações :
as notas que você não conseguia alcançar,
os amigos que você não conseguia fazer,
os medos que você não conseguia superar,
os vícios que te aprisionavam,
os erros que você cometeu,
os sonhos que você nunca realizou
a lista incontável de motivos que faziam de você alguém sem muitas chances de resgate ...

Mas, pela misericórdia do Pai de amor você teve uma história semelhante a de Gabriel.
Alguém com um amor incondicional achou que seria bom cuidar de você. Este alguém conseguiu transformar sua lama em matéria prima para uma obra de arte.

Assim como Jesus quando escolheu morrer por você, quando Marly escolheu cuidar de alguém como Gabriel ela não estava optando pela solução mais fácil, e sim a mais amável.

“Mas ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e moído por causa das nossas iniqüidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados.” Isaías 53 v5

Considerando que Graça é um favor imerecido, tanto Gabriel quanto nós temos em nossos peitos faixas que dizem “Fui agraciado por um gesto de amor”.

Marly não precisava escolher uma criança com down e Jesus não foi obrigado a dar sua vida para te salvar. Sabemos disso. Ambas atitudes soam como presentes.

Presentes destinados a despertar a duvida : Fizeste isto por mim?
Nesta semana li um texto que despertou em meu coração tal sentimento:


“ Compreendo a necessidade de sangue.
Seu sacrifício eu abraço.
Mas a esponja amarga, a lança transpassando, o cuspe em seu rosto?
Tinha que ser uma cruz?
Não havia morte mais amável do que seis horas pendurado entre a vida e a morte, tudo isto regado a um beijo de traição?
- Oh Pai, - diz você com o coração tranqüilo,
- Desculpe perguntar, mas preciso saber, fizeste isto por mim?
”

Se você se esforçar um pouquinho talvez consiga ouvir milhões de pessoas que hoje fazem a mesma pergunta – Jesus, fizeste isto por mim?

Eu, portadora da graça de Cristo, com certeza sou uma delas.

Creio que sendo a pergunta feita por mim ou por Gabriel as respostas seriam muito semelhantes.

Agradeço a Deus por poder ouvir a doce voz que ressoa em meu coração: Fiz tudo isso por você e faria tudo novamente pra poder te ver crescer ao meu lado. Te dei de presente a graça de viver e ser livre.

" Mas pela graça de Deus sou o que sou; e a sua graça para comigo não foi vã, antes trabalhei muito mais do que todos eles; todavia não eu, mas a graça de Deus, que está comigo." I Coríntios 10 v 15

domingo, 10 de outubro de 2010

ALGUÉM COMO EU E VOCÊ


A bíblia me conta que Ele se fez carne e habitou entre nós. João 1:14
Ele não veio como rei, não se assentou entre os nobres nomes da época, não foi aclamado como um pop star.

Se Ele estivesse hoje caminhando pelas ruas, muito provavelmente você não o reconheceria. Ele vestiria jeans e camiseta, não seria um dos homens mais atraentes ao caminhar em meio a multidão, não despertaria curiosidade.

Ao contrário do que muitas pessoas imaginam, Jesus era um nome bastante comum pra época.
Na chamada da escola ele não deveria ser o único.
Jesus é derivado do Josué, que foi um nome mencionado já no velho testamento.
O que me permite imaginar que se Jesus estivesse entre nós ele poderia se chamar José, Gabriel, Pedro, Gustavo ...

Descobri a pouco tempo que Barrabás, aquele que foi liberto no lugar de Jesus, também se chamava Jesus. Isto evidencia que Jesus não era e nunca foi um nome de Rei.

Você não encontrará um Jesus clamando por seguidores. Ele nunca quis se tornar uma estátua pregada na parede da igreja ou uma foto que circula na internet. Ele queria somente se tornar tão humano quanto você, sentir tuas dores, saber o peso da responsabilidade que você carrega por existir.

Estudando a palavra de Deus notei que Jesus sempre deu muito valor a eventos como casamentos, velórios e jantares. O único elemento que unia todos os personagens destes eventos era o “estar lá". Jesus priorizava sua presença às pessoas.

Se você o convidasse para ir à sua casa Ele provavelmente iria, te escutaria falar com uma atenção que talvez você nunca tenha recebido, te faria sorrir, riria de seus comentários, talvez contasse piadas, encantaria sua família com sua educação e sensibilidade, faria tudo para que você o convidasse novamente.

Sabe por quê?

Porque Ele sempre quis ser seu amigo.
Ele sempre quis estar contigo. Tornou-se humano também para isso.

Ele também sentiu fome
" E, depois de jejuar quarenta dias e quarenta noites, teve fome." Mat 4:2

Também teve sede
"Depois, vendo Jesus que tudo já estava consumado, para se cumprir a Escritura, disse: Tenho sede!" João 19:28

Também foi pobre
"... Senhor Jesus Cristo, que, sendo rico, se fez pobre por amor de vós, para que, pela sua pobreza, vos tornásseis ricos." 2Cor 8:9

Não tinha uma casa
"Mas Jesus lhe respondeu: As raposas têm seus covis, e as aves do céu, ninhos; mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça."Mat 8:20

Passou por humilhações
" Logo a seguir, os soldados do governador, levando Jesus para o pretório, reuniram em torno dele toda a coorte. Despojando-o das vestes, cobriram-no com um manto escarlate;" Mat 27:27-28

Chorou
"Jesus chorou." João 11:35

Sentiu-se desamparado
"Por volta da hora nona, clamou Jesus em alta voz, dizendo: Eli, Eli, lamá sabactâni? O que quer dizer: Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?" Mat 27:46

Tem como alguém te entender melhor?
Nome comum, família comum, profissão comum, roupas comuns, alguém como eu e você.

Alguém tão bem educado que hoje aguarda o convite para entrar em seu coração, pintar sorrisos em suas paredes, esvaziar teu baú de mágoas, salvar sua vida e caminhar contigo, lado a lado, para todo sempre.

Não deixe alguém tão especial do lado de fora.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

NÃO FOI BEM ASSIM QUE EU IMAGINEI ...



Conheço um casal com uma história emocionante de amor.

Eles eram adolescentes, já estavam com o casamento programado quando veio até ele a notícia bombástica: Ela estava grávida e o filho não era dele.

O rapaz tinha um amor tão grande pela moça que começou a pensar em maneiras de ocultar o termino do namoro para não expor a moça.(Mateus 1:20)

Meio abalado com a enxurrada de notícias que havia acabado de receber, ele resolve então ir dormir, aliviar a cabeça.

De repente é acordado por um ser diferente de todos os que já conheceu. Era um anjo, que veio lhe explicar todos os " porquês " que estavam atormentando sua mente. E antes que você pense, ele não estava sonhando.

Você muito provavelmente já conhece esta história, pois é a história que dá origem a biografia de Jesus.

O casal trata-se de José e Maria, e é sobre eles que quero falar neste texto.

Mas especificamente sobre José, homem obediente a Deus.

Não encontramos muito sobre José na bíblia, e o máximo de informações que consegui achar foi que ele era um carpinteiro muito corajoso, temente a Deus, e apaixonado por Maria. Afinal, só sendo muito apaixonado para aceitar uma mulher já com um filho em seu ventre.

José teve de fugir com Maria para Belém quando ela já estava prestes a ter Jesus, e o lugar mais aconchegante que conseguiram encontrar na noite do parto foi uma estrebaria.

Acredito que as orações de José naquele momento começavam mais ou menos assim:

“Deus, eu a Maria não cometemos pecado nenhum para passar por isto. Já é noite, Maria esta prestes a ter Jesus e nós não temos nem um lugar limpo para ela ficar.
Por aqui não há médicos, um cama limpa, água quente. Não há sequer alguém que possa segurar a mão dela.
Deus, não foi bem assim que eu imaginei que meu filho nasceria, imaginei que como redentor da humanidade nós teríamos aqui milhares de pessoas trazendo presentes para o bebê, ou ao menos nossa família reunida.
As únicas testemunhas do nascimento do meu filho são ovelhas e vacas? Não foi bem isso que eu imaginei Senhor.
Fiz algo de errado? Que espécie de marido eu sou?
Quando o Senhor enviou seu anjo para falar sobre o filho que Maria estava esperando imaginei muita coisa, mas confesso que esta cena não passou por minha cabeça.
Se o Senhor não tinha um lugar melhor por que então não nos deixou ter o bebê em Nazaré mesmo? Pelo menos lá eu tinha uma casa.
”

É claro que a bíblia não menciona José fazendo esta oração, mas não foi difícil imaginar, afinal de contas eu muito provavelmente pensaria tudo isto.

Muitas vezes me peguei fazendo orações muito semelhantes a esta. Orações que me faziam pedir satisfações ao invés de ajudar.

É tendência do ser humano se preocupar quando as coisas não estão mais em nosso controle.

Acontece que o filho não era e nunca foi de José. O filho era de Deus, e Ele como Pai tinha todo o direito de escolher como seria o futuro que Jesus deveria ter.

Assim como o nosso futuro não está sob nossos domínios, a vontade é de Deus, e é Ele quem deve ter o controle para guiar nossas vidas.

A mesma coisa que aconteceu na noite de Belém acontece em nossas vidas, pois todos nós já experimentamos noites escuras em que as coisas fogem totalmente de nosso controle.

Muito provavelmente a sua noite escura não tenha se passado em um estrebaria. Talvez tenha sido em um hospital, um velório, ao lado da lataria amassada de um acidente, na dor de olhar a foto que te traz saudade...

Se as paredes de seu quarto pudessem falar, talvez elas contariam que também já presenciaram seus momentos de desespero.

Mas Deus faz coisas assim. O céu de Belém não foi o primeiro a ouvir os resmungos de alguém confuso com a maneira como Deus trabalha, e com toda certeza não será o ultimo.

Mesmo sem o controle da situação, temos o conforto de que é possível descansar pois a palavra do Senhor mesmo nos diz: "Porque eu bem sei os pensamentos que tenho a vosso respeito, diz o SENHOR; pensamentos de paz, e não de mal, para vos dar o fim que esperais." Jeremias 29:11

Mesmo sem saber para que caminho Deus estava os guiando José foi obediente.

Obedeceu quando o anjo falou para que ele não abandonasse Maria,

Obedeceu quando Deus os mandou sair de Nazaré,

Obedeceu quando as coisas estavam indo bem,

Obedeceu quando as coisas estavam muito ruins.

Deus ainda procura pessoas que não se questionem se é ou não sensato ouvir a voz de Deus. Procura ainda corações obedientes e sensíveis a suas ordens.

Independente da situação que José e Maria estavam vale lembrar que, Deus jamais os abandonou.

Creio que José quando pode ouvir o choro de Jesus que acabara de nascer, teve a mesma certeza.

Quando passamos a entender que os planos não são nossos, e que nossas ansiedades não irão nos confortar podemos desfrutar melhor dos cuidados de Deus para nossas vidas.

"Lance sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de você"

E o Deus de toda a graça, que em Cristo Jesus vos chamou à sua eterna glória, depois de haverdes padecido um pouco, ele mesmo vos aperfeiçoará, confirmará, fortificará e fortalecerá." ( I Pedro 5:7 e 10)

domingo, 26 de setembro de 2010

AGORA SÓ ME RESTA ...



“Agora só me resta”, este é o bordão que cerca todas as histórias que contam sobre sonhos perdidos.

Talvez tenha sido esta a frase que tenha se repetido durante 40 anos na mente de nosso personagem de hoje, Moisés.

Para os que não conhecem a história de Moisés , vou tentar resumi-la em poucas palavras.

Um bebê hebreu nasce em uma época de extermínio dos bebês homens do seu povo, é colocado em um cesto e lançado no rio Nilo por sua mãe, este bebê é encontrado pela filha de Faraó que então o toma pra si e chama sua mãe para ser a “babá” , assim o menino cresceu com todo o conforto, regalia e estudo que o palácio de Faraó poderia lhe proporcionar, e também com toda a instrução que sua “babá” , e também mãe biológica , lhe cedeu.

Com tudo isto Moisés tinha tudo para ser o libertador de seu povo que vivia em escravidão no Egito.

Afinal de contas ele tinha se tornado alguém influente o suficiente para saber lidar tanto com os Egípcios que escravizavam o povo, quanto com os israelitas que eram escravizados.

Certo?

Errado.

Se correr algum tempo na história você não encontrará mais Moisés no castelo, e sim no meio deserto.
Não o encontraremos mais buscando maneiras de cuidar do seu povo, e sim pensando em como cuidar de suas ovelhas.
Não encontraremos mais um Moisés conhecido e reconhecido por todos, e sim um pastor de ovelhas em meio ao deserto que, em meu ponto de vista, não está muito a fim de ser encontrado.

O que pode ter levado nosso “principezinho” a uma vida tão diferente da que ele tinha?

Um erro que Moisés nunca conseguiu esquecer. Ele viu um egípcio batendo num escravo hebreu, perdeu o controle e matou o egípcio.

Poderíamos então pensar que o escravo agradeceria. Não foi bem assim. Em troca Moisés recebeu raiva : “Você vai me matar também?” Exôdo 2:14

Muito além da morte do egípcio, encontrei nesta parte da história uma história comum a quase todos nós.

A história do sonho perdido. A história do que você já pode ter vivido também. A história de grandes esperanças chocando-se com difíceis realidades.

Este choque foi o motivo que levou nosso protagonista a uma vida oculta em meio as ovelhas no deserto. Do palácio para o deserto, do glamour para o anonimato, das melhores universidades para uma fazenda ...

Parece que nem é preciso me esforçar muito para ouvir Moisés dizer: “Agora só me resta” ficar aqui e apascentar ovelhas.

Assim como eu e você ao presenciarmos em nossas vidas este choque entre esperanças e realidades podemos dizer: “ Agora só me resta” ... ficar aqui e chorar, desistir de tudo isto,não tentar mais, esquecer ...

Mas é lá no meio do deserto, quarenta anos mais tarde, que Deus resolve finalmente chamar Moisés para então libertar seu povo. Exôdo 3: 1-6,9-10

E a resposta de Moisés ao chamado é : “Quem sou eu para apresentar-me ao faraó e tirar os israelitas do Egito?” Exôdo 3:11

A meu ver Moisés estava embutindo algumas outras questões dentro desta, questões como:

Por que agora?, Eu já não tentei fazer isto? , Já se passaram 40 anos, Aquele povo não quer ser liberto, Parece-me que as minhas ovelhas são muito mais fáceis de tratar.

A resposta de Deus às muitas questões de Moisés foi resumidamente: EU SOU O QUE SOU Exôdo 3:14 ; ou seja, Eu sou Deus e sei o que faço.

O mesmo Deus que tinha planos pra vida de Moisés é o Deus que disse: “Porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos os meus caminhos ... “ Isaías 55:8

Talvez eu e você escolheríamos o Moisés jovem, com força, garra, e influência. Mas Deus não.

Com seus 40 anos no deserto Moisés aprendeu a localização de todos os poços possíveis, casou-se e teve sua própria família e com isso teve que aprender a guiá-la em meio ao nada do inabitado, Moisés se conheceu no deserto.

Deus, com seus planos bem mais altos que os nossos, usou o deserto para ser a melhor universidade que Moisés já poderia ter cursado.

E é exatamente isto que o Pai de amor faz conosco.

Enquanto nós dizemos “Agora só me resta” Ele planeja usar nossos desertos como degraus que nos levarão aos planos maiores d’Ele pras nossas vidas.

Deus sempre tem um propósito para todas as coisas querido, e “Estou convencido de que aquele que começou a boa obra em vocês vai completá-la até o dia de Cristo Jesus.” Filipenses 1:6

Deus falou com Moisés através de um arbusto, o que quer dizer que Ele pode muito bem falar com você através de muitos meios. Talvez o meio escolhido por Ele hoje tenha sido este texto.

domingo, 19 de setembro de 2010

TÚMULOS E MORTALHAS



Se na época de Cristo houvesse tele jornais, os noticiários revelariam em todas as manchetes: “Tumulo vazio”.
A repórter talvez começasse seu furo de reportagem com:

“ Bom dia, noticia extraordinária!!
Estamos aqui na cena onde aconteceu um mistério.
Nesta sexta feira foi crucificado no Golgota um homem de 33 anos chamado Jesus.

Este homem trabalhava como carpinteiro, mas há cerca de 3 anos passou a viajar pelo interior da Judéia, juntamente com mais 12 homens, pregando uma nova religião onde afirmava ser o filho de Deus.

Contam algumas testemunhas que o numero de pessoas que o seguiam era espantosamente grande, e que por onde ele passava eram realizados milagres.

Ao investigar sua morte, a única explicação que encontramos para a crucificação foi que por conseguir muitos seguidores Jesus acabou por desagradar a grande maioria de líderes religiosos da Palestina. Já as autoridades nos afirmaram, mesmo sem provas, que o homem era acusado de traição e blasfêmia.

Ainda na sexta feira, coincidentemente no mesmo horário em que a cidade ficou em total penumbra, Jesus morreu após grande tortura.

Ele foi tirado da cruz e sepultado em um túmulo doado pelo honrado senador José de Arimatéia. Parece que o senador era um seguidor secreto de Jesus.

Testemunhas nos contam que Nicodemos, o príncipe dos judeus, doou mortalhas de linho fino para que Jesus fosse embalsamado, e então , por fim sepultado.

O tumulo foi fechado por uma pedra muito grande - aquela que vocês podem ver ao fundo da imagem – e guardas de Jerusalém acamparam em frente ao túmulo durante todos os dias para que o corpo não fosse roubado por um dos discípulos.

Hoje, domingo pela manhã, para a surpresa de muitos o túmulo de Jesus amanheceu vazio, e um fato muito curioso é que as mortalhas encontram-se no chão e dobradas dentro da sepultura.

A notícia tem corrido pela cidade, e o mistério permanece como pergunta na cabeça de todos. O que teria acontecido? Onde fora parar o corpo do tal carpinteiro?

Aqui quem fala é Maria para o Jerusalém notícias.”


É claro que a notícia não foi divulgada desta maneira, mas acho que com esta analogia deu pra se ter idéia do tamanho do alvoroço que foi causado em Jerusalém assim que Jesus ressuscitou.

Eu estava lendo a história de morte de Jesus, e desta vez acabei por perceber dois novos personagens que até então nunca tinha reparado.

São eles José de Arimatéia e Nicodemos

Neste texto vamos conhecer um pouquinho mais destes dois discípulos ocultos.


José de Arimatéia – Pelo que pude encontrar sobre este homem na bíblia , consegui perceber que era um bom homem, bem sucedido, justo, bom, discípulo de Cristo, esperava o reino de Deus, porém José possuía algo que lhe afastou de Jesus. José tinha medo.

João em seu evangelho nos conta que Jose era o discípulo mais oculto por ter medo dos judeus

Isto me fez imaginar quantos milagres José deixou de presenciar, quantas maravilhas deixou de assistir, quanto tempo perdeu por ter medo de ser visto ao lado de Jesus.

José não deixou de seguir a Cristo, mais não teve a totalidade de sua presença.

Porém sua história não se encerrou o deixando com a imagem de um medroso. Após a morte de Jesus José foi a Pilatos que era a autoridade maior, e “... e ousadamente foi a Pilatos, e pediu o corpo de Jesus.” ( Marcos 15:43)


Pra mim, foi como se José ao ver seu Mestre sendo castigado por seus pecados abrisse os olhos e enxergasse que não há nenhuma razão para temer quando se luta por Jesus.

Nicodemos – Ele aparece três vezes no Evangelho de João.
No primeiro, e mais famoso, incidente, Nicodemos ,que era o príncipe dos judeus, visita Jesus à noite, presumidamente para evitar detecção por outros da liderança Judaica.

Nesta conversa com Jesus Nicodemos “ ... foi ter de noite com Jesus, e disse-lhe: Rabi, bem sabemos que és Mestre, vindo de Deus; porque ninguém pode fazer estes sinais que tu fazes, se Deus não for com ele.” João 3 v2

Nicodemos é mencionado novamente quando os Fariseus e os principais do sacerdotes procuram prender Jesus enquanto ele freqüentava a Festa do Tabernáculo em Jerusalém (João 7:45-53). Neste momento vemos Nicodemos tentando evitar que a prisão fosse feita : “ Nicodemos, que era um deles (o que de noite fora ter com Jesus), disse-lhes: Porventura condena a nossa lei um homem sem primeiro o ouvir e ter conhecimento do que faz? “ João 7 v 50 -51

Este mesmo Nicodemos, assim como José de Arimatéia , também era um discípulo oculto de Cristo. Era como se os dois não tivessem fé o suficiente para apoiar publicamente a Jesus.

A terceira aparição de Nicodemos se deu junto com José no sepultamento de Jesus. Neste dia a bíblia nos conta que Nicodemos levou consigo generosas quantidades de especiarias para ajudar José a preparar o corpo de Jesus e então colocá-lo no sepulcro, fazendo assim publico seu discipulado.

Ou seja, agora sim podemos concluir. Tanto José quanto Nicodemos só assumiram o papel de discípulos de Jesus após a sua morte.

José ofereceu seu túmulo, e Nicodemos ofereceu sua mortalha.
Ao meu ver, suas oferendas soaram como se eles estivessem tirando as mortalhas da vergonha e saindo do tumulo do medo para assumir perante todos que eram discípulos do amor de Cristo.

É claro que Jesus não precisava destes dois adereços pois sabia que ao terceiro dia ressuscitaria, mas os dois discípulos ocultos precisavam honrar a Jesus assumindo suas posições de servos, nem que isto só tivesse acontecido na hora da morte de seu Mestre.

Acredito que a maneira mais preciosa que Jesus encontrou pra dizer aos dois que aceitava seus sacrifícios, foi quando após o 3º dia foi encontrada o tumulo vazio com as mortalhas dobradas.

Foi como se Jesus estivesse dizendo: José, eu assumi seu tumulo pra que você fosse livre de seus medos, mais agora que você é livre e eu não preciso mais dele.

Nicodemos, eu usei suas mortalhas da vergonha para que você pudesse ser livre delas. Agora nós dois não precisamos mais delas.

E é assim que Jesus age conosco também. Embora você não perceba ele te diz :

Você não precisa mais chorar porque eu já derramei minhas lágrimas por você,
Você não precisa mais ser escravo do pecado, Eu morri por eles.
Não precisa mais sentir dores, por que Eu tomei pra mim todas as suas dores,
Não há mais necessidade de carregar sua cruz sozinho, Eu fui capaz de carregar a minha, te ajudo a carregar a sua também,

...

No terceiro dia Jesus ressurgiu, deixou o túmulo, as mortalhas, as dores, a morte, e apareceu aos seus discípulos.
Tenho pra mim que José e Nicodemos também tiveram o prazer de ver a Jesus após sua ressurreição, pois agora já haviam assumido seus postos de discípulos.

É exatamente este o acordo que Jesus deseja fazer conosco.
Ele nos liberta de túmulos,
mortalhas,
medos,
vergonhas,
tristezas,
pecados,
solidão,
depressão ...

E em troca disto nos colocamos na posição de discípulos do seu amor.
Discípulos ocultos não presenciam milagres, não caminham ao lado de Cristo.
Discípulos públicos são libertos, não precisam mais de túmulos nem mortalhas, nem medos nem vergonhas.

Escolha que tipo de discípulo você quer ser.

domingo, 12 de setembro de 2010

ELE TINHA PLANOS


Dentre os 12 discípulos que Jesus escolheu havia um em particular que era rejeitado pela sociedade. Este era Mateus.

Nos tempos de Jesus, o governo romano coletava diversos impostos do povo palestino.
Pedágios pra transportar mercadorias por terra ou por mar eram recolhidos por coletores particulares, os quais pagavam uma taxa ao governo romano pelo direito de avaliar esses tributos. Os cobradores de impostos auferiam lucros cobrando um imposto mais alto do que a lei permitia.Este coletores eram chamados de publicanos.

Mateus cobrava impostos também dos pescadores que trabalhavam no mar da Galiléia e dos barqueiros que traziam suas mercadorias das cidades situadas no outro lado do lago, ou seja, Mateus não era um simples cobrados de impostos e sim um cobrador de impostos dos pobres.

Os bons costumes eram claros, basicamente um bom judeu não se associaria com publicanos
(Mt 9.10-13).

Caso Jesus pergunta-se a algumas pessoas se realmente valia a pena investir em Mateus a resposta seria : é claro que não, ele é publicano.

Porém em certo dia, após a realização de alguns milagres Jesus passando no caminho viu Mateus
sentado e lhe fez o convite Segue-me, e sem muito pensar Mateus levantou-se e o seguiu.
( Mt 9 v9)

Mateus não havia sido apresentado a Jesus ainda, mas sua vida deveria estar tão sozinha e vazia que ele não precisou de nada mais do que uma palavra pra decidir mudar seu caminho.

Mateus deveria estar cansado de sua maneira de viver.

Jesus disse "Segue-me", e Mateus o seguiu.

A sociedade poderia dizer que ele não valia grande coisa, porém Jesus tinha planos para Mateus.
Tinha planos e investiu para que ele se tornar-se um grande homem usado nas mãos de Deus

Evidentemente, Mateus era um homem rico, porque ele deu um banquete em sua própria casa.
"E numerosos publicanos e outros estavam com eles à mesa" (Lc 5.29).
O simples fato de Mateus possuir casa própria indica que era mias rico do que o publicano típico.
Por causa da natureza de seu trabalho, temos certeza que Mateus sabia ler e escrever. Os documentos de papiro, relacionados com impostos, datados de cerca de 100 dC, indicam que os publicanos eram muito eficientes em matéria de cálculos.

Ou seja, a sociedade via apenas um homem sem muita índole, Jesus viu alguém capaz de escrever o evangelho de maior influencia da bíblia.

Jesus tinha planos para Mateus.

Agora Imagine você com dinheiro para ir até uma concessionária e comprar um carro modelo 2011.
completo, bancos de couro, direção hidráulica, cambio automático, todos os sensores imagináveis.

Você olha, pensa um pouquinho e resolve dar uma volta pra tomar a melhor decisão.

Você atravessa a rua e passa em frente a um ferro velho, lá no ferro velho há um fusca todo quebrado, já não há mais bancos, sem pneus, lataria podre e amassada, vidros quebrados.

Você se anima e descobre que ali está seu carro.

O dono do ferro velho, que à pouco tempo o viu sair da concessionária pensa que você só pode estar enlouquecendo.

Você pede que ele faça o preço, e ele se aproveita para pedir um valor alto pelas condições do fusquinha.

Como você tem planos para o "carro" se dispõe a pagar.

Você o leva pra casa, manda fazer os estofados de couro, reforma a lataria inteira, refaz todo o motor, paga um preço muito maior do que o fusquinha vale só para vê-lo rodando novamente.

Seu orgulho maior agora é passear com o carro e saber que ele é seu.

Fazendo uma analogia, Jesus assim como você na história acima poderia escolher qualquer um.
Poderia escolher somente os poliglotas, os mais ricos, com a ficha mais limpa.
Porém ele escolheu pessoas que assim como Mateus, eu e você.
Pessoas que não tinham muito além de um coração disposto a o amar.

Quando Ele nos escolheu muitos o questionaram, o chamaram de louco.

Porém a bíblia mesmo nos conta que a “ loucura de Deus é mais sábia do que os homens; e a fraqueza de Deus é mais forte do que os homens.”


Jesus nos escolheu, e investiu em nossas vidas para que pudéssemos ser úteis em sua obra.

Assim como o dono do fusquinha acima, Jesus pagou um preço alto por nossas vidas, nos restaurou, nos limpou e nos revalorizou.

E ele não fez isto em vão.
Ele fez isso porque tinha planos.

Se Deus fosse um Deus mesquinho, muito provavelmente nos " reformaria" e nos colocaria em vitrines.
Mas Ele espera mais que isso, Ele quer nos usar.
Ele deseja mostrar através de nossas vidas tudo o que fez conosco.

Assim como na época de Cristo hoje também somos chamados para sermos parte dos planos de Deus.
Assim como foi com os discípulos, Jesus também tem propósitos pra sua vida.

Só Ele tem o poder de restaurar suas feridas, limpar seu coração e te transformar em um belo instrumento usado por Deus, porém ele não invadirá seu coração.

Ele chamou e Mateus resolveu segui-lo, sua vida foi transformada e ele viveu os planos de Deus.

Hoje Ele te chama "Segue-me", e você pode escolher se continuará a ser um espectador sentado a beira do caminho ou se será um personagem da história que Deus planejou.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

PREPARADO ?



Certa vez li em um livro uma história sobre uma menininha e sua pata que me chamou muita atenção.

A história contava que quando a garotinha tinha cerca de 10 anos de idade, chegou em casa e correu para encontrar sua patinha, como sempre fazia, porém naquele dia , ela acabou por encontrar sua patinha afogada em uma lagoa que havia em seu quintal.

Além da decepção da garotinha, surgiu também uma interrogação aos pais da menina. Como uma pata poderia ter morrido afogada?

Os pais levaram a patinha já morta a um veterinário, e então levaram a questão a ele: “Foi um suicido ou um homicídio?”

A resposta foi breve : “Nem uma coisa nem outra, a pata simplesmente não se preparou adequadamente. “

Sabem, os patos precisam revestir-se de um óleo especial que os torna à prova d’água e que é expelido entre suas asas. Por algum motivo, ela não o fez, e por isso, quando foi nadar, sua penas absorveram a água e ela afundou como uma pedra.

A história pode parece muito simples para você, mas confesso que ela falou muito comigo.

Por alguns momentos passei a me comparar com a patinha da história.

Posso escrever textos que falem do amor de Jesus, ou de como devemos ser cristãos, mas se não estiver preparada provavelmente acabarei por me afogar em alguma lagoa que possa surgir em meu caminho.

E estas lagoas aparecem a todos os momentos. E por mais que eu tente me iludir achando que posso passá-las sozinha, eu não conseguirei.Muito provavelmente você também não consiga.

São lagoas do tipo:

Sou forte o suficiente para parar de beber quando eu quiser.
Sou forte o suficiente para dizer não as más companhias quando eu bem entender.
Sou forte o suficiente para voltar ao primeiro amor quando desejar voltar.
Sou forte o suficiente ... Eu acredito em Deus, e é claro que isso já é o suficiente.

Infelizmente não meu querido. Seria muito mais fácil se tudo acontecesse assim, mas a tal preparação que nos deixa forte não depende de nossas forças.

A palavra de Deus nos fala sobre o quanto devemos nos preparar . Paulo nos diz que precisamos nos “revestir da armadura de Deus” Ef 6 v11, e o ato de se revestir é mencionado muitas vezes na bíblia.

Em 1 Pedro somo recomendados a nos revestir de humildade : “ ... e revesti-vos de humildade, porque Deus resiste aos soberbos mas dá graça aos humildes.” 1Pe 5 v5

Em Lucas Jesus nos diz: “Ficai porém, até sejais revestidos de poder” Lc 24v 49b

E em muitos outros textos somos orientados a estar protegidos, só que muitas vezes nos esquecemos que para estar protegidos é necessário estar revestido.

Assim como os patos precisam de um óleo que os permite estar sobre e não sob a água, nós também precisamos nos recobrir de um óleo preparatório para fazer parte do mundo e não estar sob ele.

Por mais que você as vezes ache que não. A única maneira de se cobrir deste óleo é buscando cada dia mais a presença de Jesus e reconhecendo que sem este “óleo” nos encharcaremos e afundaremos.

Ao relembrar alguns milagres da bíblia pude perceber que , em sua maioria, foram realizados quando os necessitados assumiram que precisavam da proteção de Deus.

Dois destes milagres, já contados em outros textos, nos mostram como afundamos como pedra se não tivermos o óleo que nos protege:

Pedro clamou e Jesus não deixou que ele se afogasse. ( Mt 14 v22-33)

Moisés clamou para que Deus os livrasse da fúria de Faraó e Deus abriu o mar vermelho. (Êx 14 v 15-26)

Sem a proteção de Deus estas historias teriam tido um fim diferente, mas quando reconheceram que não eram capazes sozinhos e que precisavam se preparar, o óleo protetor do espírito santo de Deus pode lhes conceder a força e a proteção que os deixará preparados.

Talvez a patinha não tivesse se dado conta de que não estava preparada. Mas nós temos a noção de quando não estamos em nossa melhor forma espiritual.

Sem Jesus você não caminhará sobre as águas.
Sem Deus você não passará por um mar aberto.
Sem Ele suas asas ficaram encharcadas. Sem Ele você afundará.

Mas com Ele você estará preparado.